Exposição

Estudos de Dissolução

mostra coletiva

08/08/26

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29/08/26

quinta a sábado

14h

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18h

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Estudos de Dissolução é um exercício de aproximação das inquietações que atravessam os trabalhos realizados por artistas durante a graduação em Artes Visuais, ainda em curso. Assim, no movimento de encontrar pontos em comum entre as distintas produções, nota-se uma aproximação inegável: o contexto histórico que nos foi reservado. A exposição reúne trabalhos de Ana Carolina Bastos, Eduarda Martins, Ivan Rolli, Jaqueline Di Raimo, Laura Giordano, Maria Pita, Maria Torrente, Mazize e Teresa Police que, frente a enxurrada informacional articulam outras formas de lidar com a realidade. Produção coletiva de: @anacarolinabastos.artista @duudamartinss_ @ivanrolli @_jaquedr @archvlaura @mariadfpita @torrentemaria_ @ma.zi.ze @teresa.pomosi @pedro_philipp

Estudos de Dissolução

Basta de ver. A visão reconheceu-se em todos os lugares.

Basta de ter. Rumores das cidades, à noite, e sob o sol, e sempre.

Basta de conhecer. As pausas da vida. – Ó rumores e Visões!

Partida em meio à nova afeição e ao novo ruído!

Arthur Rimbaud

Estudos de Dissolução é um exercício de aproximação das inquietações que atravessam os trabalhos aqui presentes, realizados por artistas que se unem por participarem de uma mesma turma de graduação em Artes Visuais, ainda em curso. O movimento curatorial associa trabalhos diversos e aparentemente discordantes, uma vez que lida com a condição já pré-definida de uma classe de estudantes montada a partir de fatores externos. Dessa forma, este conjunto de trabalhos passou pela escavação de possíveis pontos de encontro, percebendo-se um coletivo que, ao mesmo tempo internamente contraditório, se aproxima por um aspecto inegável: o contexto histórico que nos foi reservado.

Na medida em que as tecnologias digitais assumem protagonismo, as bases de dados se expandem e as redes de comunicação se bifurcam exponencialmente, lidamos progressivamente com o excesso como essência da atualidade. A informação, sobretudo em sua forma imagética, se repete, reaparece, se reformata e se reedita, desintegrando o momento presente, pois o acesso digital independe das características que esse constituem. O contemporâneo é dissolvido, fragmentado e flexível, enquanto lida com a enxurrada informacional de extrema banalização da realidade.

Da meada à baixa resolução, as linguagens divergentes tangenciam uma à outra, entre o bordado, a pintura, o desenho, o objeto, o vídeo e o som. Enquanto transbordam e colidem, foi traçada como convergência central a elaboração de estratégias e relações a partir da saturação da informação em um tempo fragmentado. Através dos estudos de mapeamento da desconfiança para com as imagens que nos permeiam, seja pelo ato de deslocamento, pela sobrecodificação, pelo olhar que provoca o corpo ou pela tentativa de recuperação das dimensões temporais, identifica-se o empenho em recuperar algo que foi perdido, e uma busca por intervalos.

No que aqui se propõe, portanto, não contamos com verdades absolutas, mas com dúvidas, falhas e potenciais erros. É justamente no âmbito do estudo que esta exposição se constrói, ao passo em que se investigam essas formas de existir, viver, e cartografar, em alguma escala, aquilo que ficou (ou está) nas entrelinhas da enxurrada informacional.

Assim, a dissolução entra como processo externo e interno, em meio à liquidez de tudo aquilo que um dia já foi concreto, mas também com a possibilidade de suspensão. Tem-se essa realidade como pano de fundo, a que passa por constantes processos de fusão e ebulição, em um tempo no qual o efêmero ocupa cada vez mais espaço do que o perene. Dessa forma, no ensaio de se esquivar ou tensionar a dissolução, estuda-se a viabilidade de encontrar, dentro dela, potenciais intervalos de decantação.

Maria Pita e Maria Torrente