Exposição

O que quer dizer, diz

mostra coletiva

23/05/26

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24/05/26

sábado e domingo

11h

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18h

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As artistas Beatriz Lindenberg, Candice Japiassu, Latife Hasbani, Mariana Guardani, Marina Schroeder e Natalie Salazar apresentam trabalhos que foram construídos ao longo de um ano e meio durante os diálogos e trocas que marcaram os encontros do Grupo Bora, com orientação da professora e curadora Galciani Neves. Os trabalhos das artistas deixam a ver distintos projetos e uma diversidade de linguagens: desenhos, vídeos, registros de ação, bordados, animação, instruções e ainda um coral. O título da mostra é uma apropriação de um verso de um poema de Leminski dedicado a Haroldo de Campos. Recontextualizado, na mostra, o verso nos diz: o desejo de realizar algo já é estar com este algo. Fotografias: Flavio Freire

O que quer dizer, diz

Frase e gesto – fazer um acolher o outro em um tempo de perguntas. Tudo começou assim. E ao redor de uma mesa, os processos e pesquisas de Beatriz Lindenberg, Candice Japiassu, Latife Hasbani, Mariana Guardani, Marina Schroeder e Natalie Salazar esparramam-se e dali foram ganhando muitos lugares: os ateliês, os cadernos, os materiais, a estrada, o corpo todo. De lá do começo para cá, somamos mais de um ano de conversa, alguns projetos coletivos e muitas parcerias. “O que quer dizer, diz” é a exposição que celebra um outro momento: mostrar em grupo, mostrar como uma, ao mesmo tempo.

“O que quer dizer, diz” faz seu pouso no Espaço Cultural Garoa como uma ocupação artística, na qual as artistas chamam a ver seus trabalhos produzidos em contextos, dinâmicas de criação, linguagens e intencionalidades muito singulares. É possível perceber que seus trabalhos se tocam e se avizinham, pois seus processos tem um tanto do olhar, da contribuição, da escuta generosa e sincera de todas as artistas. O que impulsionou também o tempo de produção mais solitário, que todo trabalho requer, a acontecer com mais coragem e mais complexidade, pois o que foi dito adensou processos e foi incorporado de muitas maneiras aos trabalhos.

Esse leve/traz/compartilha de trabalhos foi sempre a tônica das conversas que se arrastam do tempo de produção para o que vemos aqui. Assim, os problemas de linguagem de cada artista não são apenas meros conhecidos das demais, mas questões que as 6 vivenciaram e acompanharam profundamente. Obviamente, a arte nunca foi o único assunto. Nossos encontros eram também momentos de partilha de intimidades, de livros lidos, dos dramas da vida, de como podemos ser mães e filhas, amigas e companheiras de trabalho, que acumulam muitas funções que se sucedem e se sobrepõem no curto tempo de um dia.

Bordados, desenhos, videoinstalações, registros de ação, instruções, escritas, áudios, coral, performances aglomeram-se no Garoa e pontuam questões como: mapas de pensamento que mobilizam desenhos, como as pronúncias de frases desenham linhas e orientam o olhar, tradução como gesto no e com o papel, como as palavras ganham o espaço e se tornam vivências, instruções que mobilizam o corpo e o colocam em estado de desenho, como colocar o corpo em ação e assim produzir resíduos e rastros com materiais, registros visuais e escritos íntimos sobre perda que aproximam corpo e paisagem. Nesse fluir de tantas intensidades, as artistas nos colocam diante de muitas ruminações, tentativas e experimentações e nos afirmam que não há como fugir dessas texturas de tempo que se acumulam em um trabalho de arte.

O título da mostra é uma apropriação de um verso de um poema de Paulo Leminski dedicado a Haroldo de Campos. Recontextualizado, o verso agora nos diz: o desejo de realizar algo já é estar e criar este algo. “O que quer” já tem muita força e já é. E é assim que Beatriz Lindenberg, Candice Japiassu, Latife Hasbani, Mariana Guardani, Marina Schroeder e Natalie Salazar findam esse capítulo como Grupo Bora!

Galciani Neves